Nós em Londres


E agora eu era outra pessoa…
Maio 5, 2008, 2:13 pm
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Não é que eu não goste de química. Ou que me arrependa de ter decidido fazer o Doutoramento. Mas quando é Domingo e estou no laboratório, considero francamente se não havia maneira mais saudável de passar a minha vida. Género ser modelo de calendários para as oficinas de mecanicos ou virar hamburguers no MacDonalds.

Tenho pancadas diferentes consoante os dias. Hoje, se pudesse começar tudo outra vez, ia fazer um estágio na ONU em vez de andar a engonhar em Almada a achar que era bué de radical.

R.

Vagas abertas: https://jobs.un.org/elearn/production/home.html



Vamos por partes
Maio 4, 2008, 12:25 pm
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Nao sou especialmente conhecida pela suavidade do meu discurso. Longe porem dos militarismos da minha adolescencia, em que era (mais coisa menos coisa) contra tudo e todos, hoje nao ha muita coisa que me irrite solenemente, mas o grupinho de coisas que o faz é capaz de me fazer arranhar o aluminio rapidinho e eficientezinho. upa.

Uma dessas coisas- estarão alguns de vós talvez recordados- é a frase “olha que isto é tudo natural, nao tem quimicos”

Pronto. Esta está lá ao pé de gaiatas de 15 anos me informarem que “antes do 25 de Abril havia respeito e empregos e tudo”. Nada abaixo de serem fulminadas por um tonelada de Otelos (versao rechonchuda dos anos 80’s) na pinha seria apropriado para estas calamidades por isso raramente me digno a abrir a boca. Nao sei grandes argumentos para isto que nao passem por “Tu és um bocado monga, nao és? “.

A tirada do”isto-nao-tem-quimicos” no entanto é mais gravosa. Porque nao ha ninguem que contradiga, que diga de uma vez por todas : um quimico – para todos os efeitos – é um grupo de atomos unidos por ligacoes quimicas. Por essa perspectiva a agua é um quimico, o oxigenio é um quimico, tantos quimicos tantos. Um químico é o meu professor de Química Física (coitadinho) – que teve aproximadamente uma namorada a vida inteira (na pré-primária), não é um monstrinho verde cheio de dentes tóxicos a estragar a “naturalidade” das ‘moléculas-de-pureza-dos-Alpes que acabaram de ser introduzidas na nova formula do leite de limpeza da Avon.

Por isto tudo, e por outras coisas – a dieta do xarope de Ácer com maçãs, a perigosidade do Sodium Laureth Sulphate, a “limpeza” (detox) com chás, os cremes para a celulite – parece-me às vezes infrutífero clarificar equívocos: são tantos, tantos tantos. E alguns nem eu sei, até eu acredito. Se a Nivea diz que há moléculas de felicidade no creme, eu até arrisco. E um cházinho detoxificante até elimina a culpa das cervejas/chcolates/batatas fritas de ontem à noite.

Mas – ó alegria! ó clareza! valha-me São Lavoisier! – os moscãoteiros da ciência chegaram em força! Um grupo de alunos de Doutoramento aqui do UK juntaram-se há uns anos para reunir histórias de imprensa idióticas e emails pseudo-científicos e desde então teem (des)feito mitos e sabedoria da copa (aquelas pérolas que se ouvem ao pé da máquina da àgua no escritório).

Ele é livros, ele é workshops, ele é publicidade…estes tipos fazem tudo.

E eu, como tenho pouca vontade de começar a escrever a tese, fui atrás.

Agora sou parte do Sense About Science. Um destes dias, quando o assunto for nanotecnologia, ou armas químicas, ou pesticidas eles contactam-me como “expert”.

Nesse dia poderei finalmente realizar um sonho antigo:

começar o meu próprio boato científico.

Rita

PS- Visitem os moscãoteiros em http://www.senseaboutscience.org.uk/index.php/site/project/13/

PS- E os geeks da ciencia improvável em: http://www.null-hypothesis.co.uk/



Pérolas
Abril 6, 2008, 4:39 pm
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“Some people are overly critical of themselves and become listless and unassertive as a result. … Rather than engaging in pointless self-flagellation, young people would do best just being what young people are: bold, audacious and gutsyand throwing themselves entirely into whatever the task at hand.”***

D.Ikeda

É daquelas coisas…eu devia ter isto tatuado algures no meu corpinho – corpinho este em constante crescimento para os lados à conta das batatinhas fritas ao lanche que ando a comer quase todos os dias.

Quando for grande quero ser “ bold, audacious and gutsy“.

R.

*** Tradução manhosa: “Algumas pesoas são demasiado auto-críticas e consequementemente tornam-se melancólicas e pouco assertivas  … Em vez de se envolverem em infrutífera auto-flagelação permanente, os jovens fariam melhor em ser exactamente aquilo que os jovens são: corajosos, audazes e valentes – e a empenharem-se inteiramente na qualquer tarefa que tiverem em mãos.” Daisaku Ikeda



procrastinação
Abril 2, 2008, 12:24 pm
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Há respostas eternamente pendentes. Não se começam umas coisas porque falta acabar umas outras e o novelo adensa-se sem darmos por isso. Depois é mais dificil perceber-lhe as voltas, apanhar-lhe o jeito, criar nele novos dias com outras coisas para resolver.

Há para ali quatro frascos. Um azul um roxo um amarelo claro e um verde. E até podia ser uma metáfora de qualquer coisa, mas não. É cobalto a reagir com quatro controlos diferentes. E – depois de dois meses a rezar aos meus frasquinhos, sem resultados, sem motivação – adio para amanhã a desilusão mais que certa anunciada pelas cores. Ou adio talvez a festa – quem sabe – de me ver a mim própria errada, de ver as preces atendidas.

Cansa muito a frustração. A química cansa mais ainda.

Rita.



Rita, achas que voltas a Portugal?
Fevereiro 6, 2008, 2:49 pm
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– Não.

– Porquê?

Ler abaixo:

Projectos sobre estatuto profissional dos investigadores científicos «chumbados» no Parlamento

:: 2008-02-01

 
 

A maioria socialista na Assembleia da República rejeitou hoje dois projectos do Bloco de Esquerda e do PCP sobre o estatuto profissional dos investigadores científicos, por considerar que os dois diplomas pretendiam a “nacionalização” e “funcionalização” dos bolseiros.

Os dois projectos-lei – chumbados pelo PS, com a abstenção do PSD e do CDS-PP e os votos favoráveis do PCP, BE, Os Verdes e da deputada não inscrita Luísa Mesquita – pretendiam contratos de trabalho e consequente protecção social para os eternos bolseiros, “com direitos iguais a qualquer trabalhador do país”, lembrando a “situação abusiva do recurso a bolsas para financiar a investigação em Portugal”.

Segundo Miguel Tiago, deputado do PCP, trata-se de “dez mil trabalhadores, técnicos, investigadores, técnicos administrativos que desempenham as suas funções sob o estatuto de Bolseiro de investigação cientifica”, sem contrato de trabalho.

Ana Drago, do BE, salienta que estes investigadores estão “a suprir as necessidades reais das instituições” sob a capa de bolseiros, sem acesso a regalias socias, nomeadamente “subsídio em caso de desemprego”.

O deputado socialista Bravo Nico considerou que as duas propostas são uma “receita para nacionalizar e funcionalizar todo o processo da função dos investigadores” e salientou que o Governo tem tomado iniciativas para resolver o problema dos bolseiros, nomeadamente o programa de inserção de doutorados em empresas, com a criação de mil bolsas, das quais “mais de seiscentas foram atribuídas em 2007”.

“Pela primeira vez Portugal está a exportar mais tecnologia do que immporta e isto é um indicador”, afirmou, salientando que os dois diplomas hoje apresentados “pretendem fazer com que os bolseiros passem a ser investigadores contratados como tal e o PS não pretende nacionalizar uma situação de precaridade”.

Afirmou: “Ao Estado compete ajudar à formação dos cidadãos e não nacionalizar o conhecimeto e a tecnologia”.

O deputado popular José Paulo Carvalho defendeu o debate dos dois diplomas na especialidade e revelou ainda que apresentará um diploma sobre este assunto que propõe a alteração de um simples artigo da actual lei, prevendo que “os bolseiros actualmente sem protecção social passem a ser abrangidos pelo regime geral da Segurança Social”.

In CienciaHoje”

Comentário póstumo:

Não há palavras para o que este texto me faz aos fígados e à alma. Custa-me tanto que parece pessoal. Não falarei mais disto enquanto nao vir um bocadinho de objectividade a querer vir à tona.

Por agora fica-me a raiva surda, e a vontade de os esganar a todos.

Bandidos.

Filhos da mae.

R



Visits memorial
Fevereiro 4, 2008, 11:49 am
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Sem tempo, sem resultados, sem muita paciencia.

Mas com saudades, com memórias boas, com kilómetros nas pernas e os olhos cheios de marmelada, queijo, amigos.

Mais me adiantarei sobre isto, no futuro. Por agora – sem tempo, sem resultados, sem muita paciencia – ficam imagens (que – dizem- falam mais que muito paleio).

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Ronaldo aí vou eu
Dezembro 14, 2007, 4:09 pm
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Segunda feira vou à Macrocyclic Chemistry meeting em Manchester.

Fui avisada que – fora o Cristiano Ronaldo – não há lá grandes monumentos para ver , uma vez que as poucas partes que não foram bombardeadas pelos alemães na IIª Guerra, foram bombardeadas pelo IRA nos anos 70.

Como todo o bom aluno de doutoramento vou com um canudinho às costas – um poster – para mostrar aos senhores doutores o que é que eu ando aqui a fazer. É sempre uma tarefa ingrata porque passamos semanas de roda do computador a fazer gráficos, mudar letrinhas e a pensar que se o alinhamento das frases não estiver perfeito o mundo sai da órbita. No final, a obra está pronta e as pessoas passam exactamente 3,5 segundos a olhar para o poster.

Não me posso queixar muit. Salvo raras excepções não tenho pachorrinha nenhuma para ler posters – são normalmente incompletos e muita chatos de ler. Um artigo científico ao menos pode-se levar no metro para ajudar a desviar os olhos do eventual àrabe suspeito com uma mochila a fazer tique-taque. Os posters não: está-se de pé, normalmente com vinho à mistura e com as celebridades geeks a passar ao lado – e por isso a competição não é justa.

Hei-de ver nesta conferencia semi-ídolos como o Gunlaungsson e o Prof. A.P.Silva (não não é portugues, é do SriLanka. A sério.). Esta conferencia é género o Festival do Sudoeste dos cromos do laboratório e nós lá vamos como bons cromos que somos.

O mais giro é que o meu chefe (o Mike) vai apresentar o nosso trabalho numa comunicação oral e está a com um ataque de nervoso miudinho galopante apenas comparável ao meu estado antes de um exame oral ou de uma pessoa que eu cá sei (olá pai!) antes de viajar para a aldeia mater. Isto quer então dizer que somos todos humanos e que sofremos todos das mesmas ânsias, das mesmas maneiras. É muito evidente isto tudo, mas andamos sempre a arranjar excepções para esta regra e, para mim, o Mike era menos humano e mais super-herói (como todos os supervisores são, imediatamente depois de os acharmos assustadores).

Isto também quer dizer que, para celebrar, ele – amante incondicional da pinga como todo o bom inglês- irá apanhar com todas as certezas uma senhora cardina e vai arrastar a carcaça para o hotel de gatas. E aí vai ser humanidade de supervisor a mais, mas enfim não se pode ter tudo.

Para me certificar que há olhos no meu trabalhinho, aqui vos deixo a minha obra de arte, e os meus (poucos) resultados. Os restantes resultados não cabiam todos na folha e ainda estão muito em pontas soltas para que eu os consiga tornar todos catitas.

Bom, enough said, aí está a bomba.

poster-for-manchester_ritaj.pdf