Nós em Londres


Novembro 8, 2008, 5:22 am
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Viver, muito, tudo de uma vez

Dentro dos dias, pelos dias adentro,

por dentro e por fora de mim

por dentro e por for fora do que tenho

cativa de mim so

de bilhete na mao

so’ eu

eu toda

inteira

viva

amanha

outra vez

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Rita – Science World Tour 2008
Outubro 30, 2008, 11:02 pm
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Eu gosto de bandas. As bandas fazem tornees e eu vou aos websites das bandas – como ia antes ao Blitz – ver se passam pela cidade onde eu vivo. E depois deprimo durante dois dias porque os bilhetes sao muito caros ou porque estou a trabalhar nesse dia. Mas enfim, tornees, dizia eu. As bandas fazem tornees.

Ora eu nao sou uma banda. Miuda dos sete instrumentos e tal, talvez. Mas ainda nao sou os Rolling Stones.

Mas vou em tour. E estive em tour. E por isso tenho desculpas para nao aparecer por aqui. Fiz anos e tudo (30! upa! ena! tantos!). E, como nas bandas, o meu tour manager – a chefe – disse-me quando e onde eu ia e como eu podia ir e quando voltava a casa. E, como nas bandas, hoje acordei e demorei dois minutos a tentar lembrar-me onde e’ que estava (em Madrid, by the way). E o Kurt Cobain em mim quis rebentar com duas ou tres guitarras so porque podia. So’ que eu nao podia e as minhas guitarras sao, quando muito, espectrofotometros que custam umas milenas valentes de euros…e se calhar e’ melhor nao.

Ainda assim, foi um Verano Azul do caracas.

Agora deixem-me voltar para casa, e mongar em pijama em frente a’ televisao.

E j’a agora,

a casa ‘e onde?

R.



Suiça 2 – Portugal 0
Junho 16, 2008, 9:34 am
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Granda monguice. Eu em pânico, a televisão nao funcionava, o meu computador é o cancro electronico do costume, e eu com uma francesa e um italiano cá em casa à procura de um pub que não tivesse descrédito total no jogo.

Lá encontrámos um, à pressa, que tinha duas televisões por metro quadrado e um homem com ar de assassino de criancinhas junto de cada um dos aparelhos. E tanto sofrimento para nada – granda bidé de jogo.

Bem sei que não importa muito – já passamos e tal. Mas hoje no ‘publico.pt’ li este comentário:

“16.06.2008 – 05h09 – José, Zurich

Se Scolari e companhia soubessem como é importante para um imigrante portugues na suissa alemã
principalmente poder olhar o patrão e os outros suissos e deizer «gahnámos» não teriam afeito a q
figura muito triste que fizeram. Mas não sabem nem querem saber. Veremos ainda se esta derrota
não terá tido outras consequências. O Scolari fez asneira.”
E a derrota de repente custou um bocadinho mais, porque se tivesse sido contra a Inglaterra eu acho que tinha chorado.
Há uma especie de gratidão que se tem sempre pelo país que acolhe. Mas por uma razão que me há-de sempre ultrapassar, essa gratidão é acompanhada de um ressabiamento avassalador. daquele género de ira que dói tanto que apetece dar uma pêra em alguém. daquele que só é compensado por um sorriso sobranceiro depois de uma vitória futebol’istica.
estou consigo, Zé. Estou consigo.
R.


Pérolas #2
Junho 15, 2008, 6:15 pm
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I don’t know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody’

Bill Cosby

R.

Hoje, isto ajudou-me a estudar e a resistir ao raro sol do outro lado da minha janela.

(tradução galopantemente emigra: ‘nao sei qual é a chave do sucesso, mas a chave do falhanço é tentar agradar a toda a gente)



O encontro dele com a Drew Barrymore
Junho 8, 2008, 2:08 pm
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Acordo hoje e pantufo-me pela casa com um café meio manhoso e ramelas pela cara abaixo. O ritual é este: passo pelos canais que a televisão me deixa ver hoje (mudam todos os dias consoante o que antena apanha), ponho os pés descalços na mesinha de café, e mongo em frente ao primeiro programa que mereça a minha cafeína.

Hoje foi ‘My date with Drew’ , a história de um aspirante-a-realizador-sem-um-tusto-no-banco que, depois de ganhar 1100 dolares num concurso de televisão, decide investir o dinheiro numa quimera meia idiota. Mais que tudo, ele quer conhecer a Drew Barrymore, e sentar-se com ela para jantar.

De uma premissa meia inconsequente, um tipo mais que banal, desempregado, com sonhos a mais para a realidade que vive, lança-se numa especie de busca-do-santo-graal versão Hollywood. E o melhor de tudo é que ele devia estar a concentrar-se noutros assuntos – pagar a renda é só um exemplo- mas perde-se nisto de tentar provar a si próprio que é capaz.

O filme é todo amoroso, e muito depois da minha cafeína consumida ainda estava eu a bater palmas para minha Sanyo. Mas de tudo o que passa no documentario – perseguir um sonho, acordar para a vida, sermos todos iguais ou não, uma coisa animou-me mais que tudo. Este tipo tinha amigos fantasticos.

Daqueles que se atiram para as fantasias infantis, daqueles que nos dizem que vai correr tudo bem, que somos os maiores, quando somos tudo menos maiores – somo até tão pequeninos que é  ridiculo.

E isso é tao bonito, que depois destas duas horas, todos os Davids do mundo se sentirão capazes de estender as mãos para todos o Golias. E isso era mesmo o que eu estava precisar para o meu Domingo de manhã.

R.



É daquelas coisas…
Junho 7, 2008, 12:56 pm
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…que me enerva – upa upa.

Agora mesmo, na televisão (BBC1):

“Cristiano Ronaldo e Ricardo Carvalho, dois jogadores portugueses na Premier League (Liga Inglesa), que claramente ganharam as suas qualidades de jogadores internacionais através da experiencia ganha em solo inglês.”

COMO É QUE O RONALDO APRENDEU A JOGAR EM INGLATERRA?

COMO É QUE O RICARDO CARVALHO FOI CAMPEAO EUROPEU COM O PORTO SE SÓ APRENDEU “QUALIDADES” NO REINO UNIDO?

É por estas e por outras que é profundamente gratificante que estes arrogantes do bidé nao se tenham qualificado para o Euro. Resta aferir porque é que não o fizeram, já que a Liga Inglesa é a ultima coca-cola do deserto. Se calhar é porque o Universo está do meu lado e os mandou à merda como justamente mereciam. Que é de onde assistirão às perninnhas do Ronaldo a marcar golos e ao Ricardinho a parar bolas.

Bem feita bem feita bem feita.

R.



Maio 16, 2008, 8:45 am
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era bom que eu pudesse falar do que fiz ontem sem grandes explicações. Mas imagino que aminas cíclicas complexadas com cobalto e fosfonatos não sejam a especialidade de muita gente, e era chato e isso estar a falar chinês. Eu própria às vezes ainda tenho dificuldade em compreender o que faço. Melhor: tenho dificuldade de perceber o que é que ando para aqui a fazer.

Hoje é tarde. Já devia estar no laboratório há pelo menos uma hora e ainda aqui estou. A olhar para os corn-flakes semi-desmaiados em yogurte, com medo de ter frio se for lá para fora. Está-se tão bem em casa hoje.

Ontem foi vitória. Fechei o laboratório depois das dez, mas ganhei. Estava o universo inteiro armado de pipetas partidas, falta de pressão de azoto na linha, um potenciómetro esquizpfrénico a apitar antes do valor estar estável, mas eu fui mais teimosa. E agora, no forno durante quatro dias, vão estar os nanomateriais que me tiram o sono há mais de um ano. Pela primeira vez no universo. Nunca ninguém fez isto no universo todinho inteiro até ao bocadinho de pó de estrela mais varrido debaixo de um qualquer tapete cósmico – foram estas mãozinhas (trémulas, é verdade) que pariram os primeiros nanomateriais com esta constituição específica.

Isto em si não é descoberta nenhuma – não estou a inovar muito (ainda). É primeiro preciso que os ditos tenham propriedades decentes, senão mais vale usar os folares da minha avó como catalisadores. Mas ainda assim estou contente, e – como as mães daqueles putos que ninguém tem a caridade de dizer em voz alta que são feiinhos com’o pecado – acho que os meus nanogéis são os mais bonitos do mundo.

Chiça. Estou mesmo atrasada.