Nós em Londres


Ó vizinha, falta-me espaço
Agosto 31, 2007, 3:40 pm
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É hoje!!
Agosto 31, 2007, 11:04 am
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A ante-estreia do Milton é hoje. Estou cheia de nervos, detesto ante-estreias. Ficar ali sentada, sem saber o que é que lhe está a passar pela cabeça, sem poder fazer nada para ajudar a passar a revolta do estômago.

Acontece-me cada vez que vou ver alguém que gosto em palco, portanto acontece-me ainda mais com esta pessoa. Cada vez que me pergunto se poderia voltar a palco, só para matar saudades, lembro-me dos nervos que tenho nestes dias, multiplico por trezentos e vinte e cinco e chego a um estado próximo do pânico que eu tinha antes de entrar em cena. Quer isto dizer: obrigadinho ó chefe, mas a mim é mais tubos de ensaio, ó se faz favor.

Por muito que me esforçe não entendo como é que alguém se submete voluntariamente a esta matança . Eu nem que me pagassem muito dinheirinho e me oferecessem um artigo na Science. Preferia tomar chá com a minha chefe e fazer-lhe trancinhas no cabelo (esta até me arrepiou). Mas esta gente – os actores digo eu – vive para esta adrenalina.

Grandas esquisóides, pá.

R.



Entretanto…
Agosto 30, 2007, 2:49 pm
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…à parte do relatório a vida continua.

Uma das grandes vantagens de partilhar a vida com um actor é ter noites surreais, em que, enquanto eu analiso um espectro de Ressonancia Magnética Nuclear na sala de estar vejo o Milton a esbracejar na cozinha a treinar como dar um estalo.

E enquanto eu mergulho na arena traiçoeira da hidrólise de fosfatos (nem perguntem) ele surfa a internet à procura de fotografias de vegetais. Portanto, neste preciso momento ele está na metamorfose para se tornar o dono de uma banca de vegetais e eu na metamorfose para me tornar…bem…ligeiramente mais passada da pinha do que já sou.

A preview – que é assim uma espécie de ante estreia do trabalho, estando a peça ainda sujeita a alterações – é amanhã, no Gate Theatre, em Notting Hill.

O cartaz e o título – “The Sexual Neuroses of Our Parents”- parecem intelectualóidó-esquitos à brava, mas não há javardices em palco, pelo que pude averiguar. E é uma peça de respeito, sim senhora, que o miúdo é um moço de respeito.

Eu sei que não podem vir cá ver. Mas torçam por ele, que eu também.

R.

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olhaaaaa o relatóóóóóório fresquiiiinho
Agosto 30, 2007, 2:32 pm
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Pronto.

Está feito.

Está impresso.

Está encadernado.

Está nas mãos da secretária do director.

E nas mãos das instâncias divinas, i.e., os membros do meu painel.

Pesava três toneladas, que é o peso que eu sinto que me foi levantado das costas.

R.



Efeito Lucifer
Agosto 24, 2007, 11:43 am
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Em Abu Ghraib, uma prisão àrabe sob domínio americano, centenas de prisioneiros foram humilhados, torturados e fotografados pelos seus carcereiros. As provas vieram a público em Abril de 2004, porque um soldado a quem tinham sido mostradas as imagens decidiu que elas  não retratavam a missão que os Estados Unidos confiaram ao seu exercito.

É tão discutível que o Exército americano tenha uma missão no Iraque (ou no Afganistão, ou em Freixo de Espada à Cinta) que não me alongo em discursos panfletários pró-palestinianos – se servisse de alguma coisa já teria funcionado há anos, e este pânico pré instalado de ver àrabes zangados no metro não era tão palpável.

Concentremos-nos apenas na Natureza humana. No que Abu Ghraib revela da Natureza humana.

Podemos-nos convencer que os soldados andam em cavalos brancos, impecávelmente feridos, e que morrem em câmara lenta com a 5ª Sinfonia de Beethoven (ou o último hit dos Razor Light) como música de fundo. Duvido que assim seja.

Por princípio recuso qualquer forma de conflito armado e rejeito a hipótese de “ataque em defesa própria”. Acredito que funcionasse para os Romanos, mas não vejo porque é que no século XXI ainda conseguimos achar que são “eles contra nós”, quando sabemos que alguém (de ambos os lados) está sempre a lucrar com o conflito e que (de ambos os lados) há recém adolescentes a morrer espantados, sozinhos, sujos e mal-amados.

Custa-me muito a aceitar que seja imprescindível matar meia dúzia de milhar de miúdos que não acabaram o liceu, para que a dor das mães seja publicamente visível e force um esforço diplomático. Custa-me a crer que exista um vencedor numa guerra, que a defesa dos direitos das pessoas passe por matar outras pessoas, que também acham que têem direitos.

Mas também sei que o mundo não é preto e branco, e que as àreas cinzentas (grandes, grandes, grandes) são o suficiente para virar do avesso o nosso mundo e por-nos a dizer o oposto em menos de nada.

Quando as fotografias de Abu Ghraib vieram a público e o exército americano se apressou a explicar que eram o resultado de umas maçãs podres no seio de um barril de soldados saudáveis, um investigador americano e a sua equipa discordaram.

Prova de que as àreas cinzentas do coração existem nos locais mais insuspeitos, o Prof. Zimbardo (Univ. Stanford, EUA) tinha descrito anos antes aquilo que chamou “O Efeito Lucifer”.

Reuniu, na altura, um grupo de estudantes de Standford, mentalmente saudáveis e socialmente bem adaptados e atribuiu-lhes papéis. Metade seriam carcereiros e a outra metade seria arbitrariamente considerada prisioneira.

Aquilo que supostamente seria um estudo de duas semana foi cancelado ao fim de seis dias porque “aqueles jovens inteligentes e moralmente sãos tranformaram-se em guardas crueis e sádicos e em prisioneiros emocionalmente estilhaçados”. Ao efeito que transforma pessoas fundamentalmente sãs e adaptadas em seres capazes de cometer actos de extraordinária crueldade chamou “Efeito Lucifer”.

Segundo esta equipa, o “Mal” é algo que está localizado em íntima relação com o “Bem” dentro de cada ser humano, e não um efeito que reside na mente de alguns casos anómalos. Se assim fosse separar-nos das pessoas “anormais” e isolá-las numa ilha seria o suficiente para construir uma sociedade moralmente justa (a premissa de O Arquipélago Gulag de Soljenitsin).

“É o soldado patriota e que vai à missa que comete estes actos, não o soldado rebelde e indisciplinado”, diz Zimbardo. “É o tipo de soldado obediente que se alista para defender a liberdade e a democracia , com elevado sentido de missão, e que acaba por se encontrar numa situação em que acredita que os fins justificam os meios”

Não sei a que se refere quando fala do barril. Quando refere que não são maçãs podres num barril que causam estas situações, mas antes um barril podre cheio de maçãs boas, cuja podridão depende apenas do momento e da escolha que é tomada ante o momento.

“Por disposição temos a capacidade para o bem e para o mal”. Não somos “bons”, não somos “maus” somos aquilo que escolhemos ser perante aquilo que experienciamos num determinado momento e somos capazas de actos extraordinariamente positivos e negativos, apesar da nossa moral.

É inquietante, sobretudo porque não há refúgio em sermos “bonzinhos” e os malvados dos inimigos comerem criancinhas ao pequeno almoço.

Mas alerta-nos para a necessidade de treinarmos a nossa compaixão, a nossa paz individual. Alerta-nos para que depositemos o nosso espírito de missão em algo que crie valor e não nas palavras transitórias com que se define um inimigo.

Se o inferno somos nós, então é aqui que começamos a fazer a paz.

R.

PS – O estudo pode ser lido na Scientific American deste mes. Ou aqui.

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Aaaaaah…O Verão
Agosto 20, 2007, 3:50 pm
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AAAAAAAAAAAhhhhh…O verão em Londres,

Ser acordada pela chuva logo pela manhã…

Levar um banho do autocarro – vencedor do campeonato “razias nas poças de àgua 2007″…

Trabalhar de casaco porque ninguém se apercebeu que estão cerca de 13 graus centigrados lá fora e que se calhar até era boa idea ligarem o aquecimento…

Desempacotar camisolas de gola alta…

Beber toneladas de chá para compensar a àgua que se perde em lágrimas de saudade de tempos em que efectivamente havia sol e praia não era um conceito abstracto…

Atrofiar com o transito londrino que é pior agora porque todas – repito TODAS – as estradas estão em obras…

Ah… quem é que quer peixe assado, areia nos sapatos e escaldões,

quando se pode ter salsichas radioactivas, lama e gripe?

Não tenho saudades nenhumas de Lisboa. Ne-nhu-mazinhas.

R



Agosto 17, 2007, 7:09 pm
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O relatorio – fase II já acabou.

A vida segue dentro de momentos.

R.