Nós em Londres


FMI
Julho 30, 2007, 12:13 pm
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Hei-de viver muitos anos antes de perceber porque é que o ‘FMI’ do Zé Mário Branco me toca tanto.

Lembro-me de um 25 de Abril, eu em Évora, com saudades de Almada, a escorregar uma Sagres nas mãos no piso de cima da S.O.I.R. e sobe ao palco um tipo magrinho, de óculos, e em celebração ao dia, saca de umas largas catrefadas de páginas e tenta acompanhar uma guitarra demasiadamente rápida para tantas palavras.

Eu, muda, a olhar para o Fernando a meu lado, a ser trespassada por tanta raiva escrita, a querer ser eu a levantar-me e a dizer aquilotudo. Eu, tantas décadas atrasada para aquele testamento de alma.

Lembro-me de me sentar em frente ao gravador e com três milhões de pauses e plays transcrever palavra por palavra o que ouvia. E de me desconjuntar sempre na mesma frase : “Quero ser feliz, porra. Quero ser feliz agora”.

Não vivi nos anos do PREC. Não sei muito bem quem era o Jaime Neves nem o Pinheiro de Azevedo. Não vi nem a ‘Gabriela’ nem o ‘Astro’, e ainda assim reconheço em cada meia respiração uma espécie de raiva surda, deslocada, aflita, que descamba nos gritos finais desta canção.

E de cada vez que retorno a ela, quero viver o meu país de uma outra forma, a minha vida de outra forma, o meu futuro de outra forma.

Não consigo perceber, eu que vivo tão longe do presente e dos factos que ali são referidos, porque é que retorno a ouvi-la tantas vezes, como se voltasse a uma casa de que tenho saudades. Mas é um facto, é incontornável, é imenso e avassalador o efeito que tem nos dias em que a procuro.

E por isso mesmo, porque só com umas ganas de esmigalhar gargantas e quebrar limites é que vou conseguir entregar um degraçado de um relatório a tempo, retorno hoje ao FMI.

E a Londres.

Foi escrito “de um só jorro”, na sequencia da expulsão do autor/actor da Comuna, e do PCP. Foi gritado a plenos pulmões, ante um auditório estupefacto e emocionado, e – por indicação expressa do autor- nunca foi passado na radio ou na televisão. São as entranhas de um homem, de uma geração, de um momento humano muito próximo à minha vida de alguns dias. E não é bonito autopsiar um estado de alma à lupa, sobretudo porque as ultimas palavras nascem de uma embriaguez do momento e pertencem àquele momento, acima de tudo.

Eu não vou respeitar isso, perdoa-me o Zé Mário, porque acho que isto pertence a todos, e pertence-me muito a mim.

R.

PS- E aqui está o FMI, para quem não conhece e para quem quer recordar. São muitos minutos, mas vale a pena ouvir até ao fim. A letra está ali.

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Julho 26, 2007, 8:27 pm
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A vida corre devagarinho em Padua. Anda-se devagarinho aqui e os dias duram mais ou menos 72 horas cada um. è o que acontece quando a cidade inteira se percorre com olhos a partir de uma esplanada, quando a casa e a escola estao separadas por um cafè e tres bons dias.

Lembro-me que em èvora era assim e me levou uns bons meses a perceber que nao era eu que estava maluca, o tempo era mais viscoso ali – mais espesso. E nessa consistencia meia traiçoeira os anos metiam-se uns nos outros e gente sem dar por eles, as malas fundiam-se com as paredes, os corpos fundiam-se com as paredes, nao apetecia sair, correr, nada que nao fosse estar – e respirar meia golfada de cada vez.

Aqui vive-se devagar, devagarinho. Fala-se alto para se ter a certeza que se està acordado, fazem-se silencio para deixar passar a noite. E pouco mais.

E eu, com o metro de Londres meio colado às costas, a confusao dos avioes e dos bancos e da sìnteses – meia derretida nos dias, sem saber se hoje è jà amanha ou se ainda è ontem. Eu a contar os dias para ir para casa.

Sem saber bem onde è que ‘casa’ fica.



A Serenìssima
Julho 23, 2007, 9:46 am
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A cris esteve cà no fim de semana. Retiro tudo o que disse sobre a Itàlia.

Chiça que paìs tao lindo.Eu bem queria por aqui umas fotos catitas. Mas esta ligaçao web aqui no departamento è o que se chama aqui uma bela ‘Caspita!’.

Por isso mesmo, vao as imagens em pequenininho, para clicarem.

Vou actualizando a coisa à medida da minha paciencia…

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Julho 19, 2007, 3:09 pm
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olhò gillaaaaaaati di chiocolaaaatiii

A malta do Laboratorio a beber um Spritz



Eu em Padua
Julho 19, 2007, 3:05 pm
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Esta semana o “nòs em londres” passa a ser “eu em pàdua”. A viagem foi mais que infernal e palavra de honra que me passou pela cabeça meter a violinha no saco e voltar para casa. Ficarao para mais tarde os detalhes, mas alèm de ter perdido o aviao porque falhou um comboio em Blackfriars, tive tambem oportunidade de ver a minha malinha de viagem toda catita a ser escangalhada pela companhia aerea, o meu cartao multibanco portugues a ficar desmagnetizado (e eu a ficar sem um tostaozinho para comer) e , como “pièce de resistence” tive a oprtunidade fantastica de partilhar o quarto com uma multidao de baratas – comunidade que andei a dizimar armada em padeira de aljubarrota , sò que em versao mais contemporanea…com um sapato.

Hoje, que finalmente tudo se resolveu, mudei-me para um albergue de freiras onde devo entrar todas as noites atè as 11 da noite, sob pena de ter que dormir na rua. Isto è ainda mais lindo, porque nem eu sou catòlica, nem eu tenho horas de recolher obrigatorio desde os meus 16 anos – que ja foram ha mais de dez anos. Mas antes freiras que baratas, sem desprimor nenhum para as senhoras coitadinhas, que sao simpaticas que se fartam a bem da verdade.

Nos proximos dias vou tentar recuperar do choque, com a ajuda do Spritz – a bebida ca do sitio que tem uma cor um bocado radioacticva mas è fresquinha o suficiente para os 45 graus à sombra de Padua. Por outro lado, os gelados aqui sao uma coisa do outro mundo…o Santo Antonio cà para mim veio para cà nao foi para pregar, veio mas è apanhar uma barrigada de coppetas de gelati que eu bem sei.

A ver vamos , como dizia o cego. Se me acontece mais alguma coisa vou direitinha à igreja ajustar contas com o Santo.

Palavra de budista.

R.



Defina “inferno”
Julho 12, 2007, 1:16 pm
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O inferno é um sítio onde as pessoas fazem muito barulho a comer.

R.

(depois de praticamente morrer em sofrimento atroz com um mastigar de pastilha vizinho, e com a sopa da coleguinha francesa)



Laurindinha
Julho 9, 2007, 4:09 pm
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Ontem, em final de comemoraçõesdos anos do Milton, fomos gozar a prenda dele: o concerto da Lauryn Hill no Hammersmith Appolo. Com uma afro de meter respeitinho aos anos 70 e um funk à la James Brown, vimos em duas horas o que imaginamos em muits anos em frente à aparelhagem e à MTV.

No fim, como não podia deixar de ser, esperámos por ela, e demos-lhe o passou-bem da praxe, e jágora que assinasse o bilhetinho para os nossos filhos no futuro acharem que os pais eram muita cooool quando eram novos.

Infelizmente no calor do momento, ela acabou por assinar o recibo de compra dos bilhetes, o que não é lá muito cool a meu ver, mas enfim, cada um é para o que nasce e a gente nasceu para meter umas gaffes de vez em quando.

Recebemos também uma grande missão neste dia: eliminar a mortandade apática do público inglês, que parece que economiza no enstusiasmo durante os concertos, para terem depois o que gritar no Pub, quando estiverem em semi-coma alcóolico. Palavra… já tive mais barulho em minha casa, à hora da sesta do meu sobrinho. Pela minha saúdinha, o aplauso depois do encore durou praí três segundos inteiros, e isto já com metade das pessoas lá fora.

Mas de resto…

Rás’partam a miúda, que é linda que se farta e canta nas horas.

Cá vai a musica favorita do Mil, para assobiarem na camioneta no caminho para casa hoje.