Nós em Londres


PARABEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENS
Junho 29, 2007, 1:05 pm
Filed under: Uncategorized

O Milton faz anos hoje. Para os que se lembraram…obrigada!!!

Para os que nao se lembraram…ainda vao a tempo!!!! Ora ai esta o telefone: XXXXXXXXXX*. Mandem um beijinho…ele e lindo, e fofinho, e pequenino e velhinho (30 anos… upa upa).

*censurado no dia seguinte (30 Junho 2007)



Seadas
Junho 29, 2007, 11:47 am
Filed under: Uncategorized

aaaaaaaaaaaaaaah…o encontro de cólturas

aaaaaaaaaaaaaaah…o choque civilizacional

aaaaaaaaaaaaaaaah…a globalização alimentícia

Passo dias a ouvir o Davide a falar da Sardenha. Para quem tem dúvidas a Sardenha é o Calhau que a bota da Itália está a chutar. Um belo caso da geografia e da geofísica a imitar o coração das gentes, porque os Sardenhos (sardinianos? sardinhas?) sentem-se pouco ou nada italianos e gostavam – isso sim – de chutar a Italia para os lados da França ou coisa que o valha.

O Davide não é magrinho. Não. É…vá…rechonchudinho, que é como a gente chamas as pessoas que são gord(inh)as e são amigas da gente. Vá…o Davide é grandito. E fala da comida que a esposa cozinha como se tudo o que ela faz merecesse uma montrazita no Louvre, ali entre a Mona Lisa e o Rodin.

Ontem, para lhe fazer a vontade, peço Seadas no restaurante Sardenho (Sardiniano? Sarapintaliano?) onde fui jantar.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhh…..

o choque

o horror

o pânico

……chiça nunca comi uma coisa que soasse tanto a javardice (queijo pecorino envolvido em massa frita e ensopado em mel e laranja),

e que soubesse tão bem.

Apontem nos caderninhos: não morrer sem comer seadas.

O Davide (sardiniano, sardenho, sardinha?) agradece.

R.

Seadas



a minha geração (1970 por JP Simões)
Junho 28, 2007, 6:47 pm
Filed under: Uncategorized

…é a geração dos  milnovecentos e setenta e tais, a geração do Yakari, da Cité d’Or, do ursinho Misha, do tira-um-curso-para-venceres-na-vida.

…e este senhor canta a minha geração, e eu nem sabia que nós merecíamos ser cantados.

…ouçam lá bem a letra.




Junho 26, 2007, 10:25 am
Filed under: Uncategorized

Por muitos anos que viva, jamais entenderei porque é que o papel teima em nascer na minha secretária. Com uma pujança e determinação incrível molhinhos fofinhos de papelinhos todos agrafadinhos uns aos outros surgem de todos os cantos como cogumelos, levemente ameaçadores, quase a soterrarem esta ‘ómilde’ trabalhadora científica.

Eu tento, todos os dias, domar as feras com furadores e capinhas e dossierzinhos. E no fim fico com uma pequena montanha de capinhas e dossierzinhos ao lado de vários montes de papéis. Tudo correria bem, se esta minha alma de administrativa não desenvolvesse brotoeja com papeis espalhados. Isto, como é óbvio e como  é sustentado pelo Freud, deve ser tudo culpa da minha mãe que me perseguia pela casa “. Olha que eu não quero papéis soltos”. Ainda hoje me faz rir com  a ideia dos papéis soltos, de cabelos ao vento, a correr pela casa com agrafos no ar “Freeeeeedoooooooom!!!!”.

Hoje vou comprar mais uma remessa de dossiers. Se houver papelada espalhada amanhã, chamo um exterminador.

R.



dá deus nozes
Junho 25, 2007, 4:40 pm
Filed under: Uncategorized

Bem sei que as nozes são dadas a gente pouco dada a mastigar, e sempre fui das primeiras a apontar a falta de acção triturante de quem tem acesso às ditas.

Receber amigos em casa, quando a casa é em Londres, tem destas coisas.

A vidinha aqui é cíclica – metade do tempo penso que devia estar a trabalhar, a outra metade que devia estar a dormir. Nos intervalos sobra-me pouca paciencia para perceber onde moro.

Torre de Londres ou dormir até às 11H? Dormir até às 11H.

Hyde Park ou coordenar Cobalto no meu macrociclo? Coordenar Cobalto no meu macrociclo.

Receber aqui quem tem um prazo limitado para beber todas estas coisas, faz-me andar mais rápido, de olhos mais abertos – e faz-me perceber que aqui mesmo à porta tenho um mundo à minha espera, e que se o Cobalto for coordenado na segunda feira o Einstein não dá nenhuma volta especial na tumba.

Assim sendo, porque aqui veio o Fred, amigo do Milton e fã dos Aerosmith (…não se pode ter tudo, hélas…) dei por mim e fui:
1) a Taplow Court – um centro budista na periferia de Londres numa casa senhorial linda e antiquíssima – onde mergulhei numa espécie de esperança que a vida é bela, os passarinhos cantam e eu sou a ultima coca-cola do deserto;

2) ao IMAX ver um filme em 3Dimensões sobre o fundo do mar. Sim, cépticos, eu também achava que seria uma xaropada para animar a terceira idade e as criancinhas hiperactivas, mas nunca vi nada assim. Numa figura rídicula, partilhada pelos demais companheiros de cinema, mergulhei na coca-cola a cada vez que via um tubarão e esbracejava frenéticamente quando entrávamos em mares de alforrecas;

3) a Covent Garden. Só isso. O sítio é tão vibrante de energia, cultura e gente louca (normalmente coisas que andam associadas) que não é preciso entrar em teatro nenhum para rir a noite toda;

4) ao Millenium Dome, que é tipo o Pavilhão Atlântico, mas em estupidamente grande e em foleirinho. O début artístico londrino do meu mais-que -tudo lá se deu, no meio de muita pluma e pestana falsa (não nele, graças aos santinhos), e o público maioritariamente surdo lá foi para casa com a imagem do meu miudo de calções à gladiador. Eu fui para casa com ele, que é muito melhor.

Agora, de volta ao gelo e ao escuro do laboratório, aqueço-me com as imagens fellinescas do fim de semana, e alimento-me com estas novas nozes que trouxe no bolso. De mim nunca se pode dizer que não tenho dentes, ou que os tenha pequenos, valha-nos isso.

R.



Cheguei
Junho 21, 2007, 2:46 pm
Filed under: Uncategorized

Londres, vento por todo o lado e sono….muito sono.

Tive uma semana cheia – de noites em branco, de Tv Cabo, de palavras novas do meu sobrinho (“How do-you-do?”) , de vontades ambivalentes e de chuva.

Tenho umas contas a ajustar com S.Pedro pelo tempo intratavel com que fui presenteada, depois de me gabar aos bifes que em Portugal o sol ‘e grande e gordo e cheio de luz.

O sitio onde se volta, quando se volta, ‘e sempre um outro sitio, como dizia o Pessoa. Sobretudo porque as coisas mudam mas n’os mudamos mais que as coisas. E mudamos de maneiras que custam a entender por vezes. ‘E bom ver de onde vim, ser’a bom ver onde irei, por enquanto continuo no limbo que ‘e saber onde devo estar, sem me apetecer muito l’a ficar.

O futuro pertence aos deuses, aos meus compostos qu’imicos, ‘a minha motivacao.

Por enquanto, s’o uma decisao importante: preciso de dormir. Muito.

R.



Babel
Junho 13, 2007, 6:24 am
Filed under: Uncategorized

ok… eu sei que passo muito tempo… aliás … est é a segunda vez que escrevo… a primeira se se lembram foi em outubro… depois disso viram-me em portugal a fazer teatro… depois do teatro consegui estar em 5 países da europa diferentes em 4 semanas… e agora estou em londres sozinho porque a minha melhor amiga está a passar férias na santa terrinha… ela bem merece.

entretanto as novidades, toda a gente as conhece… a casa … arrangei uma agente … e estou a trabalhar num restaurante de fast-food de origem portuguesa chamado “Nando’s”, ideia de um português e de dois sul-africanos que têm um franchising em toda a Africa  e agora estão a conquistar a Europa, a fazer o belo do frango assado.

estou a receber abaixo do salário mínimo durante três semanas pois eu tenho que provar o que valho. Mas gostaria de comentar não a cerca  de  do que faço mas acerca das pessoas com quem eu trabalho:   o “manager” que é Israelita, 4 polacos, três brasileiros, um guiniense, um indiano (punjabi), uma indiana, ( não percebi), uma eslovaca  , um nigeriano (que é casado com uma polaca e sabe quem é o Obiquélo- nome escrito à boa maneira potuguesa) e eu… Pois… quando estamos a trabalhar os polacos falam com os polacos, os brasileiros falam entre si e comigo e com o guiniense, o israelita que é o chefe não fala com ninguém e o nigeriano fala mal dos ingleses….  a sensação que se tem é que os brasileiros são os nossos melhores amigos pois podemos dizer mal do patrão de forma racista sem que ele entenda… do estilo: “o c***** do judeu é agarrado ao dinheiro,  não nos deixa fechar mais cedo para poder ter mais lucro”, ou ” o chá que temos aqui, é como os ingleses, sem graça”. As pessoas não entendem a necessidade das outras até as provarem, como os polacos que fizeram cara feia à feijoada brasileira, até a provarem (consta, vizinha que repetiram 4 vezes epois de fazerem cara feia), ou como toda a gente até provarem vodka verdadeira, bem feita,  da Polónia( dizem , vizinha que foi uma bebedeira do camandro!)    Até eu , que pensava que todos os Sul-Africanos brancos eram racistas,  fiquei surpreendido , hoje, quando pessoas de todo o mundo, que vivem em Londres, vieram se despedir de um Africander, antigo Manager do síto  onde eu trabalho, que ia voltar para a sua terra Natal. Toda a gente estava comovida… pretos, brancos,  brasileiros, todos a dizer adeus a um tipo chamado Woza!

Mas as diferenças esbatem-se quando se fala de ser humano para ser humano; quando o punjabi Suuk diz que o seu filho recém nascido chama-se Aman, que na língua dele quer dizer Paz; quando o rapaz das Ilhas Maurícias que trabalha contigo e está a estudar Ciencias informáticas fala do seu país e se vê o mesmo brilho nos olhos que a minha noiva tem quando fala de Portugal;  quando o polaco que gosta da banda “Tool” diz que odeia todos os alemães por razões fundamentadas históricamente, se emociona quando tu dizes  que uma das pessoa que mais  te encorajou a acreditar que a tua vida tem um valor inexprimível, é alemã; quando dizes a um nigeriano, negro como a noite como o Obiquélo, casado com uma loira como a Lady Di, que mal podes esperar para ver como é que os filhos deles vão ser e eles dão te um grande Xi -coração…

Londres é diferente de todos os sítios onde eu já tive. Aqui tu podes conhecer qualquer pessoa de qualquer país do Mundo… em que aquilo que te forma como pessoa é completamente diferente daquilo que forma outra pessoa. Na Teoria isto soa muito bem, mas quando te encontras face a face com uma pessoa que acha que é perfeitamente natural ter um casamento arranjado, sentes um leve arrepio preconceituoso que diz… isso não está certo. É descobrires que partilhas o mesmo planeta mas que vives noutro universo.