Nós em Londres


Ainda estou viva…
Janeiro 24, 2007, 12:08 pm
Filed under: Uncategorized

…nem sei como.

Sobrevivi a uma tempestade de vento e a uma semana de bloqueio cerebral a trabalhar para o relatório dos primeiros quatro meses de Doutoramento.

Dormi poucas horinhas, só tive meio dia de folga no fim de semana, mas EIS-ME. Viva. Geladinha é certo, mas viva. Com tanta porcaria para fazer ainda que até me dá insónias, mas de pé (“com’ás arvoreeees”, mas de pé). Com o quarto num estado que parece que explodiu um morteiro aqui dentro, mas aos pinotes. Com os olhos meios embaçados de ainda andar a configurar tabelas e bibliografia, mas a respirar.

O relatório ainda não está completamente pronto, mas sinto que o pior já passou (nota-se não nota?). Amanhã fico à espera do veredicto do Kevin, que é o pós-doc do grupo, e se tiver luz verde passa para a chefona. Nessa altura fico a saber se tenho que re-escrever tudo antes de entregar, no dia 1 de Fevereiro.

Optei pela estratégia “Bernardo Santareno”. No tempo em que a velha senhora andava pr’aí à espreita pelos buracos da fechaduras o amigo Bernardo escrevia peças. Como a censura tinha sempre o lapizinho azul preparado, e como o Bernardo não lhes concedia grande inteligência, escrevia a dobrar, metia imensa palha pelo caminho para eles terem o que cortar. Alguma coisa ficaria, porqe eles entretanto perdiam a paciência de ler tudo até ao fim.

Eu, não é que não lhes conceda muita inteligência, que até concedo – muita. Não sei é o que é que eles querem com isto. Por isso, pus tudo o que me lembrei. O que era para ser um relatório com 20 paginas está nas 38. Sem contar com bibliografia e anexos. Em querendo cortar, é à escolha fregueses.

Escrever em inglês já é o que é, mais ainda dissertar sobre o meu assunto de tese ao fim de 4 meses. Estes gajos são é todos doentes da cabeça. Ele é apresentações, relatórios, exames orais. Cada vez que vejo a cabeça da minha supervisora a espreitar do gabinete apetece-me gritar “Deixaaaaaaaaaa-me em paaaaaaaaaaaz!” Não faço mái nada. Não há maái chatice. Eu quero um fim de semana. Quero ir beber uma bica ao Café Portugal em Portobello Road. Quero fazer shopping, quero ir ver o desgraçado do Big Ben.

Fechei a loja.

….mas, para o melhor e para o pior já existem 38 páginas a espaço duplo, Times New Roman, como me pediram.

Linda menina.

Rita

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2 comentários so far
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Se calhar, é por serem tão exigentes que as Universidades inglesas têm o prestigio que que sabemos.
E Como é que estarias tão contente agora, se não tivesses passado pelas dificuldades da feitura do relatório. É por estas e por outras que vais provando a ti própria, e aos outros também, que não há obstáculos que te tolham o passo em direcção ao objectivo que pretendes atingir.
Beijinhos

Comentar por Clemente

Eles podiam era dar uma colher de chá à malta. Exigência é uma coisa, doença na cabeça é outra. E estes tipos são meio doentes da carapinha – lá por não terem vida própria, bem podiam deixar que o resto da malta tivesse (nem que fosse só um bocadinho).
Ainda assim, confesso que cada vez que passo por uma coisa destas fico-me a sentir toda esperta. Pena é que o senntimento dure só por um par de dias. A seguir, lá surge outra montanha para escalar.
A próxima é a reunião de discussão do relatório: eu e quatro professores british em frente a um quadro, a ver durante quanto tempo é que eu consigo responder a perguntas antes de chorar…

Comentar por nosemlondres




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