Nós em Londres


Há coisas que merecem ser sublinhadas
Janeiro 30, 2007, 11:31 pm
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…e destacadas, e publicadas muitas vezes. E este poema que me mandou o meu pai é uma delas.

O Marão em Arnadelo

“Fui ver o mar.
Homem de polo a polo, vou
De vez em quando olhá-lo, enraizar
Em àgua este Marão que sou.

Da penedia triste
Pus-me a olhar aquele fundo
Dentro do qual existe
O coração do mundo.

E vi, horas a fio,
A sua angustia ser
Uma espécie de rio
Que não sabe correr.”

Miguel Torga , poeta do Marão, do Douro, de Trás os Montes, de Portugal e do Mundo.



…e as perguntas de um milhão de dólares são:
Janeiro 29, 2007, 11:42 am
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Porque é que o fim de semana dura 2 minutos?

Porque é que eu achei que tinha tempo de fazer a bibliografia antes de quarta feira?

Porque é que eu não me lembrei que ainda tenho os anexos todos para fazer?

Porque é que a minha colega de secretária faz tanto barulho a comer um muffin?

Será que lhe posso gritar aos ouvidos “Tás a pôr-me doooooooooooooooooooidaaaaaaaa!”?

Será que há vida em Marte? E em Freixo de Espada à Cinta?

R.



Janeiro 25, 2007, 2:03 pm
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Big Brother is watching you
Janeiro 25, 2007, 2:02 pm
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Manhã em Londres.

Descansadinha no metro, a babar de sono para cima do vizinho do lado e para cima do livro que finjo ler. “Attention passengers, this is a Security Warning”

Ora eu sou moça de um país piqueno, de genta pacata. Dizem “security warning” e a malta assusta-se. É claro que eu é que sou parva,claro. Quer dizer, quem me ouvisse até parece que já explodiram bombas no metro desta cidade. Tolinha da Rita.

Adiante, Security Warning, portantos.

Pânico, gelo, despedidas mentais ao marido, ao sobrinho, à família, antecipação pelo resto da frase (refira-se que ninguém na carruagem levantou um sobrancelha que fosse).

Continuam: “There are beggers operating in this train” (Há mendigos a operar neste metro). “There are beggers operating in this train” “There are beggers operating in this train” “There are beggers operating in this train”. Repetiram aquilo incessantemente até que o coro de romenas saíu da carruagem do lado mais os lenços e os bébés e as filhas coxas.

A seguir, a voz (Big Brother) explica: “Dar dinheiro a estas pessoas, com ou sem crianças, é compactuar com ese modo de acção. Correntemente existem no Reino Unido [não sei quantas] caridades registadas, cuja função primordial é ajudar estas pessoas. Por favor utilize o dinheiro que pensava doar e escolha uma delas”.

Ainda a tentar respirar do “security warning”, apeteceu-me levantar e bater palmas. Sobretudo porque eu sou sempre a idiota que esvazia os bolsos trocos só porque não sei dizer que não quero dar nada.

E depois apercebi-me que desde que aqui estou, há quatro meses, numa cidade com tanto milhão de pessoas, e foi a primeira vez que vi alguém pedir dinheiro.

Das duas uma: ou não há gente a precisar de dinheiro aqui – o que me custa um bocado a acreditar – ou então estão todos enfiados num caixote selado por Sua Majestade, o Big Brother himself.



ESTÀ A NEVAAAAAAR!!!!
Janeiro 24, 2007, 12:34 pm
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Epá, epá epá!!!

Está a nevar!!!!

A jenny veio-me arrancar da cama cedinho para ter a certeza que eu via a neve a cair. Quando olhei pela janela, EI-LA:

neve

a minha rua toda branquinha

chão



Ainda estou viva…
Janeiro 24, 2007, 12:08 pm
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…nem sei como.

Sobrevivi a uma tempestade de vento e a uma semana de bloqueio cerebral a trabalhar para o relatório dos primeiros quatro meses de Doutoramento.

Dormi poucas horinhas, só tive meio dia de folga no fim de semana, mas EIS-ME. Viva. Geladinha é certo, mas viva. Com tanta porcaria para fazer ainda que até me dá insónias, mas de pé (“com’ás arvoreeees”, mas de pé). Com o quarto num estado que parece que explodiu um morteiro aqui dentro, mas aos pinotes. Com os olhos meios embaçados de ainda andar a configurar tabelas e bibliografia, mas a respirar.

O relatório ainda não está completamente pronto, mas sinto que o pior já passou (nota-se não nota?). Amanhã fico à espera do veredicto do Kevin, que é o pós-doc do grupo, e se tiver luz verde passa para a chefona. Nessa altura fico a saber se tenho que re-escrever tudo antes de entregar, no dia 1 de Fevereiro.

Optei pela estratégia “Bernardo Santareno”. No tempo em que a velha senhora andava pr’aí à espreita pelos buracos da fechaduras o amigo Bernardo escrevia peças. Como a censura tinha sempre o lapizinho azul preparado, e como o Bernardo não lhes concedia grande inteligência, escrevia a dobrar, metia imensa palha pelo caminho para eles terem o que cortar. Alguma coisa ficaria, porqe eles entretanto perdiam a paciência de ler tudo até ao fim.

Eu, não é que não lhes conceda muita inteligência, que até concedo – muita. Não sei é o que é que eles querem com isto. Por isso, pus tudo o que me lembrei. O que era para ser um relatório com 20 paginas está nas 38. Sem contar com bibliografia e anexos. Em querendo cortar, é à escolha fregueses.

Escrever em inglês já é o que é, mais ainda dissertar sobre o meu assunto de tese ao fim de 4 meses. Estes gajos são é todos doentes da cabeça. Ele é apresentações, relatórios, exames orais. Cada vez que vejo a cabeça da minha supervisora a espreitar do gabinete apetece-me gritar “Deixaaaaaaaaaa-me em paaaaaaaaaaaz!” Não faço mái nada. Não há maái chatice. Eu quero um fim de semana. Quero ir beber uma bica ao Café Portugal em Portobello Road. Quero fazer shopping, quero ir ver o desgraçado do Big Ben.

Fechei a loja.

….mas, para o melhor e para o pior já existem 38 páginas a espaço duplo, Times New Roman, como me pediram.

Linda menina.

Rita



Vou a voar até aí
Janeiro 18, 2007, 7:17 pm
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Acabámos de ser aconselhados a voltar para casa hoje, porque o vento que se faz sentir nesta ilha é digno da Scarlett O’Hara.

Eu, pelo meu lado, ainda estou a tremer depois de um encontro imediato do terceiro grau com um daqueles caixotões do lixo que veio a voar na direcção do meu cigarro pós-almoço.

Agora dizem-me que 60% da linha de metro está fechada, o que quer dizer que vou OU enfrentar enchentes de gente a transbordar pelo metro afora OU a possibilidade de ir a voar até aí se ficar à espera do autocarro na paragem.

Se me virem pelo ar abram a janela, se faz favor. E já agora, ponham a chaleira ao lume que eu tenho frio.

Rita