Nós em Londres


E.T. phone home
Novembro 29, 2006, 12:07 pm
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O “telefone-gate” está resolvido. Já o tenho comigo, finalmente.

Estão à vontade para mandar mensagens e telefonar. Não se acanhem. A sério. Não explode, nem emite radiação perigosa. Acho eu.

Eu sei que é um conceito estranho…mas se ligarem para o meu número, primeiro ouve-se uma campainha e depois tcharaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaan…eu atendo!Verdade verdadinha, sou eu do outro da linha, com a minha voz verdadeira e tudo!

…o que eles inventam….

….século XXI, sociedade de informação, revolução tecnológica e tal…..uma pouca vergonha…

..-agora vejam lá se deixam de ser coisos, e me telefonam mais vezes, para eu vos poder fazer queixinhas dos cámones. Ao fim de três dias perdido não tinha nem uma chamadinha não atendida. Preguiçosos do camandro.Nem acredito nisto. Qualquer dia já nem sei falar português, apre!

E mais vos digo (isto é inédito e nunca visto) : [rufar de tambores….antecipação…..]

eu prometo que atendo!!!! (…quer dizer…se puder….)

R.

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ooops
Novembro 28, 2006, 2:53 pm
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Não sei onde anda o meu telemóvel. Imagino que em casa de uma buda inglesa, onde terá ficado a descansar desde domingo à noite.

Se alguém me tentou contactar desde então (em vão), o melhor é tentarem directamente para casa.

Tentarei despachar o resgate do dito cujo em breve, mas com os meus horários esquisitos nunca se sabe.

E já que estamos neste assunto dos contactos… porque é ninguém escreve cartas??Os cámones chamam-lhes “Snail mail” (qualquer coisa como “correio caracol”). Talvez pelo esforço que envolve, ir aos correios comprar selos, ter um postal à mão, tralhas do género, sabe mesmo bem receber uma carta…

…vamos lá pessoal…não custa nada….e eu ia gostar tanto…..

Rita



Organofosfatos e Friends
Novembro 28, 2006, 12:47 am
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Eis o resumo do meu último mês:

Friends e Fósforos

Basicamente, passei o último mês a passear o calhamaço verde pelas ruas de Londres, à espera de encontrar “o” sítio onde me ia apetecer estudá-lo. É uma especie de complexo: se não o trouxer debaixo do braço fico com a sensação de que devia estar a fazer alguma coisa, embora ainda não tenha reunido a coragem necessária para o abrir.

O mesmo se passa com os artigos que tenho que ler até à próxima sexta feira: já viram a rede de Metro inteira, mas ainda não conheceram a retina dos meus lindos olhos.

O mesmo não se pode dizer da série “Friends”, hélas.

A Jude tem a série quase toda em DVD, e eu tenho insónias a mais. Quando se juntam estes dois factores, chega-se a um binómio muito perigoso. No último mês já consumi (é a palavra mais correcta) centenas de episódios, alguns deles mais do que uma vez.

Eu até teria vergonha,mas nunca fui muito dada a essas coisas. Salvam-me a honra os Gato Fedorento, de tal maneira fãs dos “Friends”, que se baptizaram com o nome da canção mais famosa da Phoebe (em tradução literal) – o mítico “Smelly Cat”. E se eles podem ser fãs, eu também podo.

Este fim de semana cheguei a ficar preocupada com o meu estado de sanidade mental, quando dei por mim a olhar para a colecção dos DVD’s todos da série – que custa os olhinhos da cara – e a equacionar se valeria ou não a pena levá-la para casa.

Felizmente percebi a tempo que com aquelas caixinhas de DVD podia pagar a renda de um mês. E que se calhar era altura de me dedicar a outra coisa qualquer.

Confesso que é difícil: a série é um bocado viciante. Sobretudo porque me lembra do que é ter uma casa aberta aos amigos que às vezes ficam a dormir porque perderam o barco, aos amigos que entram directamente para a cozinha e vão cheirar o frigorífico, aos amigos que ficam só a fumar mais um cigarro durante três horas, aos amigos que trazem filmes e boleias e nódoas de vinho no sofá, e namorados novos e Cd’s antigos. Tenho saudades de ter assim as portas abertas e de ser assim tão fácil não pensar como é que gostamos uns dos outros, porque estamos ali mesmo à mão de semear.

E ao mesmo tempo que reconheço esta saudade, reconheço o evento que se aproxima de ter eu por aqui também umas pessoas, que abrirão outras portas, outros frigoríficos, que não perderão barcos – talvez outras coisas – que me perguntarão pelos outros tantos que habitavam a minha Graça e a minha janela. E pensar nesse evento é como uma pequena traição, uma crueldade pequena a que acedo porque não há outra opção, não pode ser de maneira diferente, é assim que é suposto que seja, se calhar.

E é bom, não é mau. Mau seria estarem para aqui estas portas fechadas e eu com tantas saudades de um abraço e de um café e de ter um sentido de humor que alguém entendesse.

Dizia um senhor japonês que quando a gente não avança, estamos na realidade a andar para trás. Isto porque o mundo continua todo a mover-se para a frente. E eu não quero andar para trás, porque custa muito e fico sem perceber nada e não faço escolhas. E isso é uma granda pessegada, ninguém quer viver assim – eu não quero, pelo menos.

Assim sendo, a partir de hoje, vou dedicar uma parte do meu dia a criar à minha volta uma tropa de caras amigas, e vou dedicar menos tempo a ver as caras amigas dos senhores do DVD. A partir de hoje, não. A partir de sexta-feira.

Sexta feira estreia o “The Big Nothing”, e o David Schwimmer vai estar no tapete vermelho em Leicester Square….vou-lhe lá dar uma beijoca e convidá-lo para uma bica.

R.



Vitória!
Novembro 22, 2006, 5:15 pm
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 Consegui!

O pior já passou.

Estava mesmo preocupada com a apresentação do meu projecto ao grupo. Normalmente as sessões são muito intensas e o bombardeamento com questões semi-filosóficas sobre Química é digno de uma frota de aviões da IIªGuerra.

Estava, confesso, apavorada.

Ás 14H, enquanto lutava desesperadamente para parar as mãos de tremerem, lá comecei a despejar, a conta-gotas, aquilo que sei sobre o meu projecto.

O que me vale é que gosto muito do meu trabalho. A meio da apresentação já estava toda empolgada a falar port’inglês e a gesticular muito e a fazer desenhos. Nada como a Química do Cobalto para me pôr bem disposta.

No final recebi umas palmadinhas nas costas e uns “very buono” do Davide e da supervisora, e agora estou, a bem da verdade, um bocado histérica.

Não fosse a fleuma inglesa que transpira por estas bandas, e estava a correr pelas bancadas afora a gritar :”Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Safei-me (desta)!”

Como não posso transpirar muita emoção, não vá esta gente ter um colapso nervoso, ando a passear o sorriso em cafézinhos e “foi bom, ….correu bem, sim, correu bem”. Posso garantir-vos que até ás 18H da tarde não vou mexer uma palha e vou – orgulhosamente – pastar por aqui até serem horas de ir embora.

Hoje estou contente, caraças.

Agora só falta a apresentação de dia8 de Dezembro. A partir dessa data, se as insónias não param, rendo-me às cassetes de hipnose da Jude – a minha colega de casa – porque ando para aqui com umas olheiras dignas da Odete Santos.

Já falta pouco, malta. Já falta pouco….

R.



51 já estão, já só faltam 32!!
Novembro 19, 2006, 9:42 pm
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Lisboa

Este fim de semana estou completamente concentrada na preparação da minha reunião de Quarta feira, com o meu grupo.

Neste momento somos 5: Eu, a Ania, que comecou agora o PhD comigo e é metade francesa/metade das Caraíbas(Guadalupe), a Atefe que é Iraniana e está a fazer o projecto de Mestrado connosco, o Davide que está no segundo ano do PhD e é italiano [ele diz que não é italiano, é da Sardenha] e o Kevin que é Irlandês e é o novo post-Doc. Isto sem contar com a minha supervisora que é italiana também. Na realidade tenho 2 supervisores, mas isso é história para outro dia, que eu hoje estou apertadinha de tempo.

Eu já tinha percebido que aqui o nível de exigencia e pressão eram muito elevados. A cada aluno deDoutoramento é assignado um painel de avaliação, com o qual nos reunimos periodicamente. Esse painel não só quer avaliar o progresso do ponto de vista de trabalho feito, mas tambémo grau de conhecimento “químico” fora da nossa àrea, e a nossa capacidade de expôr conceitos complexos em público, em inglês. Além disso temos que entregar um relatório periodicamente e discuti-lo numa espécie de exame oral com o painel. Assim, aos 4 meses, 10 meses, 18 meses e 24 meses tenho obrigatoriamente que me encontrar com o dito painel de professores, e preparar-me para tudo. E sem falar nas apresentações públicas que temos que fazer do nosso trabalho pelo menos 2 vezes por ano. Isto tudo ao mesmo tempo que desenvolvo o meu trabalho “normal” de investigação….

Depois disto tudo ainda que tenho que passar o Viva – que é a apresentação final da tese – e que normalmente demora entre 3 a 5 horas, sem intervalo, de bombardeamento químico com os alunos fechados dentro de um gabinete com o tal painel, a (tentar) responder ao que lhes vai na pinha.

Basicamente eles deixam-nos dizer tudo muito direitinho até ao momento em que tropeçamos sem querer em qualquer palavra, ou conceito, que é exposto de forma menos rigorosa. Depois começam a escavar à volta disso e a fazer perguntas para ver quão fundo nos enterramos. Assustador,meus caros, assustador.

O objectivo deles é a gente sair daqui preparados para ir para qualquer universidade e preparar um projecto ou um grupo de investigação sozinhos. Isso parece tudo muito bem, e se eu estivesse em Portugal estava a dizer “assim-é-que-é” e tal, mas a verdade é que isto representa imensa pressão e nem toda a gente aguenta. E se eu aguentar alguém inaugure uma placa ou um nome de Rua em minha homenagem porque, chiça….., não estou a ver como é que me vou safar desta(s).

Para nos dar alguma preparação – e também com um leve prazer mórbido e masoquista, acho eu – a minha supervisora organiza sessões destas todas as semanas connosco. A semana pasada a Ateffe foi fazer a apresentação dela. Powerpoint proibido: só ela e um quadro e um marcador a tentar descrever o projecto dela. Assim que chega à terceira frase tropeçou num termo e ….ariópsi….duas horas de mecanismos de Química Orgânica pela goela abaixo em frente a cinco pessoas que até andou de lado. Desgraçada.O Irão ao lado disto parecia um paraíso dos trópicos, aposto.

Com a pressão começou a desenhar Carbonos com 5 ligações, moléculas de àgua com carga positiva e outras barbaridades do género.[Nota para não-químicos: É grave, acreditem em mim….ui….muito muito grave.]
E perguntam voces, quem é que a seguir da apresentação ficou com vontade de fazer as malinhas e ir para casa? A Tef? Não, não…. Euzinha!

Boas notícias: não fiz as malas.

Comecei a pensar e se calhar isto até é tudo o que eu sempre quis. E não sou pessoa de voltar a trás a meio. Se me for embora é bom que estes tipos se preparem para me enxotar com força porque eu não vou assim às primeiras.[Tentativa desesperada de me auto-motivar] E assim com’á ssim a alternativa a estar a fazer isto é “Bom-dia-Tv-cabo-fala-a-Rita”, o que é bastante mais dificil de cumprir isto que aqui me pedem.

Com este pânico todo que por aqui anda, só havia uma hipótese. Dar-me uma prendinha, uma coisa bonita que me apetecesse mesmo: comprei o bilhete de volta para Portogallo!

Yuhuuuuuuuuuuuuuuu!

Sábado, dia 16 de Dezembro, lá vou eu a caminho do aeroporto da Portela para umas férias bem merecidas.

Até lá só me resta mergulhar nos livros e tentar sacar alguma confiança e sangue frio de onde puder.

preciso de sobreviver à sessão de Perguntas&Respostas com o meu grupo, esta quarta feira, e à apresentação pública do meu projecto, no dia 8 de Dezembro.

de qualquer das formas é oficial: já falta menos tempo para estar em casa, junto do cheirinho a castanhas, do quentinho dos mimos, do electrico 28 a seringar por Lisboa adentro, dos abraços de quem me faz falta.

Já falta pouco, malta, já falta pouco!!!



Borat
Novembro 16, 2006, 8:07 pm
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A pedido de algumas famílias, segue a apresentação do fabuloso filme “”Borat:Cultural Learnings of America for make benefit glorious nation of Khazakztan”, um filme de histórias reais vividas por um personagem ficcional criado por Sacha Baron Cohen [também responsável pelo personagem Ali G].

A história é simples. Como é que o “americano-comum” da era Bush se relaciona com um reporter do Cazaquistão cujo maior orgulho é o facto da sua irmã (a loirinha da fotografia em baixo) ser a 2ª melhor prostituta do seu país. É tão engraçado, que chega a ser doloroso. Quem se apresenta assim, merece tudo.

LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Para terem um cheirinho do grau hilariante da coisa aqui vai a apresentação do filme, cortesia do You Tube.



Enaaaaaaa!
Novembro 16, 2006, 1:56 am
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Aqui não se ouve falar muito no Euromilhões nem na lotaria. É mais casas de jogos e casas de apostas. Há umas com um ar muita manhoso, a cheirar a cigarros requentados e vinho choco, cheias de televisões por todo o lado,  onde normalmente senhores muito barrigudos vão gastar dinheiro e ver a vida a andar para trás.

Nunca me atraiu a jogatina, por si só. Tem que haver mais qualquer coisinha para eu gastar uns trocos. Tipo… ser quase certo que vou ganhar.

A última vez que joguei no jackpot do Euromilhões fiquei indignada de tal forma com a falta de retorno no meu investimento que quase decretei à santa Casa da Misericordia o mesmo exílio a que a minha avó votou a TVI depois do “Olhos-de-Água-Gate”. A saber:

[ Eu:Ó avó!! O Milton vai aparecer numa telenovela!

Avó: Ó filha que bom!!É na 1?

Eu: Não, vó. É na TVI…

Avó(francamente triste): Ó filha, que pena… A avó não vai poder ver…Desde que me andaram a mudar os “Olhos de Àgua” de horário lá pró fim, a tentar que a gente começasse a ver a outra novela que ia começar , sabes bem que eu nunca mais lhes perdoei e não vejo nada do que eles pra lá poem. Pronto, a não ser que seja uma coisa de variedades, que isso eu gosto muito.

Eu: ………(suspiro)…….

Minha avó: Deixa estar, filha. A Tia Maria depois vai-me contando o que acontece ao telefone]

Assim sendo, e porque contra factos não há argumentos, entre mim e a Santa Casa há uma especie de “EuroMilhões Gate” que tem afastado o meu Éurinho semanal da batota. E o veredicto tem sido seguido mais ou menos à risca, com a mesma determinação com que a minha avó queria ver a Sofia Alves.

Aqui em Londres o Metro e o Dica da Semana são diários e têm uma tiragem de milhões de cópias. Passo todos os dias cerca de uma hora de viagem de metro – 45 minutos com a minha colega francesa a odiar os ingleses e 15 minutinhos de paz a ler o jornaleco. Ui como eu gosto do jornal – é aqueles momentos de morte cerebral em que só as funções básicas de piscar os olhos é que estão acesas- tudo o resto em stand-by. Ui.

No outro dia estava a ler o jornal e vi um concurso para ganhar bilhetes de cinema. Como estou aqui há dois meses sem receber um tostãozinho de ordenado e como estou sozinha , as oportunidades de ir ao Cinema não abundam. Concorri.

Hoje cheguei a casa às quinhentas: tinha à minha espera dois fantásticos bocadinhos de cartão que me dão entrada para ir ao cinema .Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Agora só tenho que decidir se vou ver este senhor

Borat “Cultural Learnings of America for make benefit glorious nation of Khazakztan”

ou este senhor

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….e encontrar uma alminha que não me deixe ir ao cinema sozinha, das três pessoas que conheço aqui…