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Viver, muito, tudo de uma vez
Dentro dos dias, pelos dias adentro,
por dentro e por fora de mim
por dentro e por for fora do que tenho
cativa de mim so
de bilhete na mao
so’ eu
eu toda
inteira
viva
amanha
outra vez
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Eu gosto de bandas. As bandas fazem tornees e eu vou aos websites das bandas – como ia antes ao Blitz – ver se passam pela cidade onde eu vivo. E depois deprimo durante dois dias porque os bilhetes sao muito caros ou porque estou a trabalhar nesse dia. Mas enfim, tornees, dizia eu. As bandas fazem tornees.
Ora eu nao sou uma banda. Miuda dos sete instrumentos e tal, talvez. Mas ainda nao sou os Rolling Stones.
Mas vou em tour. E estive em tour. E por isso tenho desculpas para nao aparecer por aqui. Fiz anos e tudo (30! upa! ena! tantos!). E, como nas bandas, o meu tour manager – a chefe – disse-me quando e onde eu ia e como eu podia ir e quando voltava a casa. E, como nas bandas, hoje acordei e demorei dois minutos a tentar lembrar-me onde e’ que estava (em Madrid, by the way). E o Kurt Cobain em mim quis rebentar com duas ou tres guitarras so porque podia. So’ que eu nao podia e as minhas guitarras sao, quando muito, espectrofotometros que custam umas milenas valentes de euros…e se calhar e’ melhor nao.
Ainda assim, foi um Verano Azul do caracas.
Agora deixem-me voltar para casa, e mongar em pijama em frente a’ televisao.
E j’a agora,
a casa ‘e onde?
R.
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Granda monguice. Eu em pânico, a televisão nao funcionava, o meu computador é o cancro electronico do costume, e eu com uma francesa e um italiano cá em casa à procura de um pub que não tivesse descrédito total no jogo.
Lá encontrámos um, à pressa, que tinha duas televisões por metro quadrado e um homem com ar de assassino de criancinhas junto de cada um dos aparelhos. E tanto sofrimento para nada – granda bidé de jogo.
Bem sei que não importa muito – já passamos e tal. Mas hoje no ‘publico.pt’ li este comentário:
“16.06.2008 – 05h09 – José, Zurich
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I don’t know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody’
Bill Cosby
R.
Hoje, isto ajudou-me a estudar e a resistir ao raro sol do outro lado da minha janela.
(tradução galopantemente emigra: ‘nao sei qual é a chave do sucesso, mas a chave do falhanço é tentar agradar a toda a gente)
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Acordo hoje e pantufo-me pela casa com um café meio manhoso e ramelas pela cara abaixo. O ritual é este: passo pelos canais que a televisão me deixa ver hoje (mudam todos os dias consoante o que antena apanha), ponho os pés descalços na mesinha de café, e mongo em frente ao primeiro programa que mereça a minha cafeína.
Hoje foi ‘My date with Drew’ , a história de um aspirante-a-realizador-sem-um-tusto-no-banco que, depois de ganhar 1100 dolares num concurso de televisão, decide investir o dinheiro numa quimera meia idiota. Mais que tudo, ele quer conhecer a Drew Barrymore, e sentar-se com ela para jantar.
De uma premissa meia inconsequente, um tipo mais que banal, desempregado, com sonhos a mais para a realidade que vive, lança-se numa especie de busca-do-santo-graal versão Hollywood. E o melhor de tudo é que ele devia estar a concentrar-se noutros assuntos – pagar a renda é só um exemplo- mas perde-se nisto de tentar provar a si próprio que é capaz.
O filme é todo amoroso, e muito depois da minha cafeína consumida ainda estava eu a bater palmas para minha Sanyo. Mas de tudo o que passa no documentario – perseguir um sonho, acordar para a vida, sermos todos iguais ou não, uma coisa animou-me mais que tudo. Este tipo tinha amigos fantasticos.
Daqueles que se atiram para as fantasias infantis, daqueles que nos dizem que vai correr tudo bem, que somos os maiores, quando somos tudo menos maiores – somo até tão pequeninos que é ridiculo.
E isso é tao bonito, que depois destas duas horas, todos os Davids do mundo se sentirão capazes de estender as mãos para todos o Golias. E isso era mesmo o que eu estava precisar para o meu Domingo de manhã.
R.
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…que me enerva – upa upa.
Agora mesmo, na televisão (BBC1):
“Cristiano Ronaldo e Ricardo Carvalho, dois jogadores portugueses na Premier League (Liga Inglesa), que claramente ganharam as suas qualidades de jogadores internacionais através da experiencia ganha em solo inglês.”
COMO É QUE O RONALDO APRENDEU A JOGAR EM INGLATERRA?
COMO É QUE O RICARDO CARVALHO FOI CAMPEAO EUROPEU COM O PORTO SE SÓ APRENDEU “QUALIDADES” NO REINO UNIDO?
É por estas e por outras que é profundamente gratificante que estes arrogantes do bidé nao se tenham qualificado para o Euro. Resta aferir porque é que não o fizeram, já que a Liga Inglesa é a ultima coca-cola do deserto. Se calhar é porque o Universo está do meu lado e os mandou à merda como justamente mereciam. Que é de onde assistirão às perninnhas do Ronaldo a marcar golos e ao Ricardinho a parar bolas.
Bem feita bem feita bem feita.
R.
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era bom que eu pudesse falar do que fiz ontem sem grandes explicações. Mas imagino que aminas cíclicas complexadas com cobalto e fosfonatos não sejam a especialidade de muita gente, e era chato e isso estar a falar chinês. Eu própria às vezes ainda tenho dificuldade em compreender o que faço. Melhor: tenho dificuldade de perceber o que é que ando para aqui a fazer.
Hoje é tarde. Já devia estar no laboratório há pelo menos uma hora e ainda aqui estou. A olhar para os corn-flakes semi-desmaiados em yogurte, com medo de ter frio se for lá para fora. Está-se tão bem em casa hoje.
Ontem foi vitória. Fechei o laboratório depois das dez, mas ganhei. Estava o universo inteiro armado de pipetas partidas, falta de pressão de azoto na linha, um potenciómetro esquizpfrénico a apitar antes do valor estar estável, mas eu fui mais teimosa. E agora, no forno durante quatro dias, vão estar os nanomateriais que me tiram o sono há mais de um ano. Pela primeira vez no universo. Nunca ninguém fez isto no universo todinho inteiro até ao bocadinho de pó de estrela mais varrido debaixo de um qualquer tapete cósmico – foram estas mãozinhas (trémulas, é verdade) que pariram os primeiros nanomateriais com esta constituição específica.
Isto em si não é descoberta nenhuma – não estou a inovar muito (ainda). É primeiro preciso que os ditos tenham propriedades decentes, senão mais vale usar os folares da minha avó como catalisadores. Mas ainda assim estou contente, e – como as mães daqueles putos que ninguém tem a caridade de dizer em voz alta que são feiinhos com’o pecado – acho que os meus nanogéis são os mais bonitos do mundo.
Chiça. Estou mesmo atrasada.
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Não é que eu não goste de química. Ou que me arrependa de ter decidido fazer o Doutoramento. Mas quando é Domingo e estou no laboratório, considero francamente se não havia maneira mais saudável de passar a minha vida. Género ser modelo de calendários para as oficinas de mecanicos ou virar hamburguers no MacDonalds.
Tenho pancadas diferentes consoante os dias. Hoje, se pudesse começar tudo outra vez, ia fazer um estágio na ONU em vez de andar a engonhar em Almada a achar que era bué de radical.
R.
Vagas abertas: https://jobs.un.org/elearn/production/home.html
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Nao sou especialmente conhecida pela suavidade do meu discurso. Longe porem dos militarismos da minha adolescencia, em que era (mais coisa menos coisa) contra tudo e todos, hoje nao ha muita coisa que me irrite solenemente, mas o grupinho de coisas que o faz é capaz de me fazer arranhar o aluminio rapidinho e eficientezinho. upa.
Uma dessas coisas- estarão alguns de vós talvez recordados- é a frase “olha que isto é tudo natural, nao tem quimicos”
Pronto. Esta está lá ao pé de gaiatas de 15 anos me informarem que “antes do 25 de Abril havia respeito e empregos e tudo”. Nada abaixo de serem fulminadas por um tonelada de Otelos (versao rechonchuda dos anos 80′s) na pinha seria apropriado para estas calamidades por isso raramente me digno a abrir a boca. Nao sei grandes argumentos para isto que nao passem por “Tu és um bocado monga, nao és? “.
A tirada do”isto-nao-tem-quimicos” no entanto é mais gravosa. Porque nao ha ninguem que contradiga, que diga de uma vez por todas : um quimico – para todos os efeitos – é um grupo de atomos unidos por ligacoes quimicas. Por essa perspectiva a agua é um quimico, o oxigenio é um quimico, tantos quimicos tantos. Um químico é o meu professor de Química Física (coitadinho) – que teve aproximadamente uma namorada a vida inteira (na pré-primária), não é um monstrinho verde cheio de dentes tóxicos a estragar a “naturalidade” das ‘moléculas-de-pureza-dos-Alpes que acabaram de ser introduzidas na nova formula do leite de limpeza da Avon.
Por isto tudo, e por outras coisas – a dieta do xarope de Ácer com maçãs, a perigosidade do Sodium Laureth Sulphate, a “limpeza” (detox) com chás, os cremes para a celulite – parece-me às vezes infrutífero clarificar equívocos: são tantos, tantos tantos. E alguns nem eu sei, até eu acredito. Se a Nivea diz que há moléculas de felicidade no creme, eu até arrisco. E um cházinho detoxificante até elimina a culpa das cervejas/chcolates/batatas fritas de ontem à noite.
Mas – ó alegria! ó clareza! valha-me São Lavoisier! – os moscãoteiros da ciência chegaram em força! Um grupo de alunos de Doutoramento aqui do UK juntaram-se há uns anos para reunir histórias de imprensa idióticas e emails pseudo-científicos e desde então teem (des)feito mitos e sabedoria da copa (aquelas pérolas que se ouvem ao pé da máquina da àgua no escritório).
Ele é livros, ele é workshops, ele é publicidade…estes tipos fazem tudo.
E eu, como tenho pouca vontade de começar a escrever a tese, fui atrás.
Agora sou parte do Sense About Science. Um destes dias, quando o assunto for nanotecnologia, ou armas químicas, ou pesticidas eles contactam-me como “expert”.
Nesse dia poderei finalmente realizar um sonho antigo:
começar o meu próprio boato científico.
Rita
PS- Visitem os moscãoteiros em http://www.senseaboutscience.org.uk/index.php/site/project/13/
PS- E os geeks da ciencia improvável em: http://www.null-hypothesis.co.uk/
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“Some people are overly critical of themselves and become listless and unassertive as a result. … Rather than engaging in pointless self-flagellation, young people would do best just being what young people are: bold, audacious and gutsy—and throwing themselves entirely into whatever the task at hand.”***
D.Ikeda
É daquelas coisas…eu devia ter isto tatuado algures no meu corpinho – corpinho este em constante crescimento para os lados à conta das batatinhas fritas ao lanche que ando a comer quase todos os dias.
Quando for grande quero ser “ bold, audacious and gutsy“.
R.
*** Tradução manhosa: “Algumas pesoas são demasiado auto-críticas e consequementemente tornam-se melancólicas e pouco assertivas … Em vez de se envolverem em infrutífera auto-flagelação permanente, os jovens fariam melhor em ser exactamente aquilo que os jovens são: corajosos, audazes e valentes – e a empenharem-se inteiramente na qualquer tarefa que tiverem em mãos.” Daisaku Ikeda